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Os
Conselhos da Ação Evangelizadora a serviço
da comunhão e participação

“Porque decidimos, o Espírito Santo e nós...”
(cf. At 15,28).
Prezados Irmãos e Irmãs da Igreja de Deus que se
faz presente na Diocese de Jundiaí:
Particularmente
impressiona-me uma frase do saudoso Papa João Paulo II
na sua Carta Apostólica No início do novo milênio:
O grande desafio que enfrentamos hoje é “fazer da
Igreja a casa e a escola da comunhão” (n. 43a). E
o Papa continua dizendo que, antes de pensarmos e programarmos
ações concretas para viver esta comunhão
com Deus e dos cristãos entre si, “é preciso
promover uma espiritualidade da comunhão” (n. 43b).
Só assim poderemos chegar a descobrir que as raízes
últimas da comunhão e participação
vêm da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito
Santo vivem em perfeita intercomunhão de amor e, por isso,
constituem o mistério supremo da unidade.
Um
dos meios mais eficazes para vivenciar e garantir a comunhão
e participação na Igreja são os conselhos
a serviço da evangelização. Pois, a prática
da mais ampla escuta de todo o povo de Deus, dentro do princípio
da comunhão e participação, corresponde plenamente
à dignidade e responsabilidade de cada membro batizado
e crismado da Igreja. De fato, nossa Igreja necessita de organismos
que, longe de serem instrumentos meramente externos e burocráticos,
ajudam a evangelização e a missão a se avançarem
e a se tornarem realidade em todos os âmbitos e as estruturas
da Igreja. Se os conselhos da ação evangelizadora
não estiverem a serviço da comunhão e participação,
eles “se tornariam meios sem alma, máscaras de comunhão”
(Documento de Aparecida, n. 203).
Aliás,
a Sagrada Escritura, em várias passagens, narra-nos que,
reunir-se em conselhos e assembleias a fim de avaliar a caminhada,
propor, planejar e decidir prioridades, projetos e novos rumos
a serem tomados, na mais perfeita comunhão e participação
era uma prática muito comum na vida do povo de Deus. Só
para citar alguns exemplos:
No
final da conquista da Terra Prometida, alguns membros do povo
de Deus estão diante de uma escolha decisiva: seguir os
novos deuses do país conquistado ou permanecer fiel ao
Deus da Aliança? Sob a liderança de Josué,
aproximadamente no ano 1200 a.C., o povo de Deus se reúne
numa grande assembleia em Siquém (cf. Capítulo 24
do livro de Josué). No final do encontro, toma-se um compromisso
decisivo: “Josué disse: ‘Tirai do meio de vós
os deuses estranhos e inclinai os vossos corações
para o Senhor, Deus de Israel!’ O povo disse a Josué:
‘Serviremos ao Senhor, nosso Deus, e obedeceremos à
sua voz’” (Js 24,23-24).
Por
sua vez, Jesus de Nazaré continuou essa mesma prática
do povo de Deus. Reúne os apóstolos, os discípulos,
os pobres, os fracos, os pecadores. Com suas palavras e seus gestos,
Jesus anuncia e dá início ao Reino de Deus: a maneira
totalmente nova de como ser feliz a partir da comunhão
com Deus, consigo mesmo, com os outros e com a natureza. “Que
todos sejam um” (Jo 17,21) foi o seu desejo na despedida
da Última Ceia.
Também
no início da nossa Igreja, quando surgem os primeiros conflitos
a respeito da atitude a ser tomada em relação aos
não judeus convertidos ao cristianismo, a Igreja se reúne
em conselho, na cidade de Jerusalém (cf. At 15,13-29).
É o primeiro “Concílio” da Igreja, no
ano 49 d.C. Todos rezam, discutem a respeito dos novos problemas
que foram surgindo e trocam ideias a fim de que se chegue a um
consenso. “Pois, decidimos, o Espírito Santo e nós”
(At 15,28): eis a força da comunhão e participação!
Por
isso, queridos diocesanos e diocesanas, creio que precisamos fortalecer
os conselhos da ação evangelizadora em quatro níveis:
comunidade, paróquia, região pastoral e diocese.
Com a força renovadora do Espírito Santo (cf. Jo
3,8) e a colaboração do novo Coordenador Diocesano
da Ação Evangelizadora, padre Geraldo da Cruz Bicudo
de Almeida, peço que todos colaborem para a implantação
e o fortalecimento desses conselhos e de seu pleno exercício.
Senhor, tornai nossa querida e amada Igreja diocesana “a
casa e a escola da comunhão”. Assim seja!
E a todos abençoo!
Dom
Vicente Costa
Bispo Diocesano de Jundiaí
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