Delegado
papal guia com plenas faculdades a renovação da
Legião de Cristo
Um decreto da Santa Sé comunica suas funções
CIDADE
DO VATICANO, segunda-feira, 26 de julho de 2010 (ZENIT.org) –
O arcebispo Velasio De Paolis, C.S., delegado pontifício
para a Legião de Cristo, recebeu de Bento XVI plenas faculdades
de governo sobre a congregação, durante o tempo
que for necessário para completar o caminho de renovação,
revisar as Constituições e convocar um capítulo
geral extraordinário.
É o que destaca o decreto sobre as "modalidades
de cumprimento do ofício de delegado pontifício",
emitido pelo cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado,
e apresentado por Dom De Paolis no dia 21 de julho, na segunda
reunião que manteve com o conselho geral da congregação,
e publicado pela mesma a 23 de julho em sua página na internet.
A congregação, nessa mesma data
e lugar, publica a carta que o Papa Bento XVI enviou no dia 16
de junho a Dom De Paolis, em que o nomeava seu delegado, após
a recente visitação apostólica aos Legionários
de Cristo, que “evidenciou, além do zelo sincero
e da fervorosa vida religiosa de um grande número de membros
da congregação, a necessidade e urgência de
um caminho de profunda revisão do carisma do Instituto”.
Em onze pontos, o decreto estabelece as “precisões
e disposições aprovadas pelo Sumo Pontífice”.
Em primeiro lugar, estabelece que “a autoridade
concedida pelo Santo Padre ao delegado pontifício, muito
ampla e que há de se exercer em nome do próprio
Sumo Pontífice, estende-se a todo o Instituto: a todos
os superiores, aos diversos níveis (direção
geral, provincial e local) e a todas as comunidades e a cada religioso.
Tal autoridade implica todos os problemas próprios do Instituto
religioso e pode ser exercitada sempre que o Delegado considerar
necessário para o bem do próprio Instituto, inclusive
revogando as Constituições”.
O segundo ponto indica que “os superiores
do Instituto, em todos os níveis, exercitam sua autoridade
de acordo com as Constituições e sob a autoridade
do delegado pontifício”.
Portanto, segundo o documento, os atuais superiores
permanecem em seus ofícios “enquanto não for
necessário proceder de outro modo”.
Em terceiro lugar, o decreto estabelece que fica
reservada ao delegado pontifício a aprovação
das decisões do governo geral da congregação,
sejam as relacionadas com pessoas (“admissão no noviciado,
profissão, sacerdócio, nomeações e
transferências”), sejam as relacionadas com os apostolados
e centros de formação (“seminários,
institutos acadêmicos, escolas”), sejam as que afetam
“questões de administração extraordinária
ou atos de alienação de bens”.
Segundo o decreto, “todos têm livre
acesso ao delegado e todos podem tratar pessoalmente com ele;
por sua vez, o delegado tem o poder de intervir em todo lugar
onde pense ser oportuno, inclusive no próprio governo interno
do Instituto, em todos os níveis”.
Diferentemente do que os meios de comunicação
tinham anunciado, prevendo “subdelegados” pontifícios,
o documento vaticano estabelece que o delegado, “no cumprimento
de sua missão, está acompanhado por quatro conselheiros
pessoais, que o auxiliam na realização de seu trabalho,
segundo as circunstâncias e as possibilidades, e que podem
ser encarregados para as tarefas específicas, particularmente
as visitas” às comunidades.
O documento esclarece que “a tarefa principal
do delegado pontifício é encaminhar, acompanhar
e realizar a revisão das Constituições”.
“À revisão das Constituições
devem colaborar todos os membros do Instituto, seja em nível
individual ou comunitário, segundo um projeto que desde
o início se terá de elaborar e realizar”.
O decreto indica que se constitua “o mais
rápido possível uma Comissão para a revisão
das Constituições, nos diversos níveis do
Instituto, com a participação sobretudo dos membros
do próprio Instituto, que se hão de sentir responsáveis
pela revisão e reelaboração do próprio
projeto de vida evangélica, sempre em harmonia com o ensinamento
da Igreja”. O presidente desta Comissão será
o delegado pontifício.
O decreto indica que o delegado pontifício
coordenará a visitação apostólica
ao movimento apostólico “Regnum Christi”, que
foi anunciada pelo comunicado emitido pela Santa Sé a 1
de maio, ao concluir a visitação apostólica
dos cinco bispos à congregação.
Renovação
Em uma carta escrita no dia 10 de julho aos membros
da congregação dos Legionários de Cristo,
Dom de Paolis esclarece que, “para o Papa, o delegado pontifício
é seu Delegado pessoal. Este, ao cumprir sua tarefa, deve
trabalhar ‘como testemunho tangível de minha (sua)
proximidade, para que atue em meu (seu) nome perante esta Família
Religiosa”.
O representante papal explica que o caminho de
renovação que a congregação empreende
“não é para pôr em xeque a própria
vocação, mas para voltar a considerá-la a
fundo e renová-la com um novo espírito e uma mais
intensa participação à própria adesão
a ela”.
“Pode-se entender que alguns estejam passando
por momentos difíceis, que alguns já tenham pensado
em seguir outros caminhos, e outros talvez estejam considerando
isso – acrescentou –. A vocação é
algo muito sério para que se possa tomar uma decisão
sobre ela em um momento de desorientação”.
“É preciso reencontrar a serenidade
do espírito e da alma, porque a decisão deve ser
tomada diante de Deus, na fidelidade a Jesus Cristo, que vocês
escolheram como Rei de suas vidas. Tenham paciência. Percorramos
com humildade e fé o caminho de renovação;
consideremos juntos novamente a consagração religiosa
à luz do carisma da congregação; releiamos
as constituições sobre as quais comprometeram suas
vidas”.
“Trata-se, estou seguro, de libertá-las
de elementos que possam ofuscar seu carisma, de modo que a vocação
na profissão dos conselhos evangélicos resplandeça
plenamente em toda sua beleza, para reforçar em suas vidas
a realeza de Cristo, que se manifestou em plenitude no mistério
de sua Páscoa”.
“Seguindo Jesus, que, em seu caminho de
amor, oferece-se livremente ao Pai e aos irmãos para criar
em seu corpo de Ressuscitado a nova criatura. A vocação
de vocês, assim como sua congregação, encontra-se
em suas mãos, confia-se à responsabilidade de vocês.
A Igreja os acompanha; o Senhor é misericordioso e generoso:
doa seu Espírito sem medida! Sua graça os precede,
acompanha e conduz à meta”, afirmou De Paolis.
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